Atentado contra acampamento solidário a Lula, em Curitiba, deixa dois feridos. Prefeitura aproveita para voltar a pedir a transferência do ex-presidente

Acampamento Marisa Letícia, Curitiba – Foto: Gilbran Mendes

Um atentado na madrugada deste sábado (28) contra o Acampamento  Marisa Letícia, base da vigília solidária ao ex-presidente Lula, preso na Polícia Federal de Curitiba (PR), deixou dois feridos, um deles em estado grave, atingido por uma bala no pescoço. Segundo a senadora (PT-PR) Gleisi Hoffmann, com base em relatos dos acampados, foram disparados mais de 20 tiros. Para a senadora, a mídia e o juiz Sergio Moro, coordenador da Operação Lava Jato, têm “responsabilidade objetiva” no aumento da violência contra os movimentos sociais, por incitarem o ódio contra a esquerda. O atentado foi usado como argumento para a Procuradoria-Geral da Prefeitura de Curitiba voltar a pedir, já neste sábado (28), à 12ª Varia da Justiça Federal, para que o ex-presidente Lula seja transferido da Superintendência da Polícia Federal, onde está desde 7 de abril. O pedido já havia sido feito no dia 13 deste mês, alegando transtornos aos moradores e funcionários da PF.

Dr. Rosinha, em coletiva após encontro com representantes da Secretaria de Segurança do Paraná – Foto: Joka Madruga/Agêcnica PT

Após encontro com representantes da Secretaria de Segurança do Estado, o presidente do PT no Estado, Dr. Rosinha, afirmou que o governo se comprometeu a aumentar o policiamento para proteção do acampamento. Outro tema da conversa foi a preocupação com o ato de 1º de Maio, marcado para o acampamento, em apoio ao ex-presidente Lula. “Não temos o número, mas estamos trabalhando com no mínimo 20 mil pessoas presentes”, alertou.

“É uma violência contra os movimentos sociais; uma violência que tem se dado na Política, resultado desse processo construído de perseguição contra a esquerda”, destacou a senadora Gleisi Hoffmann. “A situação de intolerância no país está muito grave; não podemos aceitar. Isso vem num rastro de violência, que os movimentos sociais, os movimentos de esquerda, têm sido vítimas desde o golpe do impeachment. Tivemos casos de indígenas mortos, negros, negras, sem-terras, a [veredora do PSOL-RJ] Marielle, no Rio, depois os tiros na caravana do presidente Lula, que colocaram também em risco a vida de várias pessoas, a violência sofrida pelos manifestantes que aguardavam o ex-presidente Lula, quando foi preso, e agora esses tiros.”

Em coletivo à imprensa, Dr. Rosinha destacou o desrespeito de Moro à decisão do STF de enviar para São Paulo a investigação das delações que citam o sítio de Itatibaia, por não ter identificado vinculação entre o imóvel e o processo de desvio de recursos na Petrobras. Na opinião do presidente estadual do PT, essa desobediência [o juiz decidiu continuar a investigar o sítio, em paralelo ao STJ de São Paulo] cria um ambiente social de desrespeito às leis.

Em nota pública, os integrantes do Acampamento reafirmaram a disposição de permanecerem em vigília solidária a Lula e cobraram a identificação dos culpados pelo atentado, lembrando que a logística do acampamento foi acordada com as autoridades estaduais. “Nós desmanchamos o acampamento [o primeiro, localizado no entorno da PF] cumprindo ordem oficial. Fizemos a opção de ir para um terreno e seria garantida a segurança. Agora o que cobramos da Secretaria de Segurança Pública é investigação, que identifique o atirador”, enfatiza Dr. Rosinha, integrante da coordenação da vigília. Projéteis de 9 mm foram recolhidos pela polícia para investigação.

Clique aqui para ler a nota oficial sobre o atentado, divulgada pelo Acampamento Marisa Letícia

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