Compartilhado de Rede Estação Democracia
Documentos comprovam pressão para favorecer Jair Bolsonaro e exigências sobre áreas estratégicas, como terras raras e investimentos chineses.
O governo do republicano Donald Trump tentou condicionar, no final de 2025, a redução de tarifas comerciais impostas ao Brasil à libertação e anistia de aliados políticos punidos pela Justiça. A manobra diplomática veio à tona com novos detalhes obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, voltando ao centro do debate político justamente na reta final para as eleições de 2026. A investida original consistia em uma lista de vinte e uma exigências enviada a Brasília, incluindo a liberação de figuras consideradas “dissidentes” para o pleito, mas a tentativa de interferência direta na soberania nacional foi rejeitada de forma veemente pela chancelaria brasileira.
Negociadores do Planalto avaliaram a investida daquela época como uma tentativa escancarada de socorrer o ex-presidente Jair Bolsonaro, cujos processos judiciais por tentativa de golpe eram criticados abertamente por Washington. Ao exigir o fim de prisões e restrições eleitorais a investigados, o documento ecoava narrativas propagadas pela extrema-direita sobre uma suposta quebra democrática no país. Diante do tom inaceitável, o ministro Mauro Vieira e sua equipe enterraram o tema sem margem para debates, embora o avanço das apurações jornalísticas atuais traga nova luz sobre os bastidores daquele período.
Soberania e Estratégia Comercial na Mira dos Estados Unidos
Mesmo após o fracasso da primeira investida ocorrida meses antes, a administração norte-americana apresentou novas ofertas no início de 2026, abrandando alguns pontos políticos, mas mantendo o cerco estratégico e econômico. Desta vez, o foco deslocou-se para a geopolítica global, com demandas explícitas para que o Brasil limitasse o avanço de investimentos chineses em minérios estratégicos e terras raras. A postura foi tratada por analistas como uma tentativa de chantagem econômica travestida de acordo comercial, cujos desdobramentos continuam repercutindo intensamente.
As tratativas reveladas agora com maior profundidade demonstram o grau de tensão nas relações bilaterais, contrastando com declarações públicas de autoridades norte-americanas que tentavam culpar o Brasil por um suposto impasse. Enquanto representantes de comércio dos EUA exigiam o alinhamento automático de políticas digitais e industriais brasileiras aos interesses externos, o governo brasileiro manteve a firmeza. A recusa em ceder às pressões do final de 2025 evidenciou a defesa da independência nacional frente a imposições tarifárias unilaterais, tema que agora reaparece com força no cenário eleitoral.
* Redator: Solon Saldanha
Foto: Donald Trump. Crédito: reprodução Euronews