Marco Aurélio Garcia: “não há soberania nacional sem soberania popular”

Marco Aurélio Garcia – Foto: Marcelo Camargo/ABR

O movimento SOS Brasil Soberano expressa seu pesar com a morte de Marco Aurélio Garcia, ou MAG, para os amigos. Uma perda enorme. Ex-assessor de Assuntos Internacionais nos governos de Lula e Dilma, trabalhou pelo fortalecimento das relações Sul-Sul e pelo Brics, para assegurar protagonismo e soberania aos países do bloco. Deixou o cargo em maio de 2016, no golpe que afastou a presidenta eleita do posto.

Em junho deste ano, em conferência realizada na Universidade Nacional de San Martin, na Argentina, Marco Aurélio Garcia disse não acreditar que o ciclo de avanços sociais tenha terminado. É preciso, disse, analisar criticamente o que aconteceu na primeira década do século 21 e a vitória dos candidatos de direita: “De acordo com várias pesquisas, setores que foram beneficiados por nossas políticas sociais no Brasil, na Argentina e em outros países atribuem a sua melhoria de vida a eles mesmos, à família e a Deus; as políticas públicas aparecem em último lugar. Não identificam essas transformações com a ação dos seus governos.”

Na sua avaliação, três principais questões ainda não foram superadas de forma completa nos últimos 15 anos de governos progressistas e precisam continuar na pauta: “Um modelo econômico novo que vá além do desenvolvimentismo nacional — e que se chocou com a perspectiva neoliberal no auge – ; a questão da democracia, crucial, porque está vinculada às possibilidades de inventar um novo modelo econômico e social; e a dimensão nacional, porque não há soberania nacional sem soberania popular.”

Professor aposentado do Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marco Aurélio Garcia foi sempre um intelectual de esquerda, e se autoxilou no Chile e na França entre 1970 e 1979. Voltou ao país após a anistia e foi um dos fundadores do Partidos dos Trabalhadores. Em 1990, como Secretário de Relações Internacionais do PT, foi um dos organizadores e fundadores do Foro de São Paulo, idealizado para reunir movimentos de esquerda da América Latina e do Caribe. Foi secretário de Cultura nos municípios de Campinas (1989-1990) e São Paulo (2001-2002), e vice-presidente do Partido dos Trabalhadores de outubro de 2005 a fevereiro de 2010. Coordenou o programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 1994, 1998 e 2006, e o programa de governo da presidente Dilma Rousseff na eleição de 2010.

Marco Aurélio Garcia, presente!

Você pode gostar...