Multidão comemora integração do São Francisco

Monteiro (PB)

Monteiro (PB)

Uma multidão compareceu no último domingo (19) à inauguração popular das obras do Eixo Leste do Projeto de Integração do Rio São Francisco, em Monteiro (PB), com a presença do ex-presidente Lula e da ex-presidenta Dilma Rousseff.

Na praça principal da cidade – com 33 mil habitantes –, o ato reuniu cerca de 50 mil pessoas, segundo o Partido dos Trabalhadores (PT), total que pode chegar a 70 mil, segundo outros participantes. Em clima de celebração e festa, com gente de todas as idades, dentro e fora do rio, a Inauguração Popular contrastou com o evento oficial promovido pelo presidente Michel Temer, que, no dia 10 de março, discursou em Sertânia (PE) num palco isolado da população, exclusivo para convidados. Na ocasião, mesmo com esses cuidados, não pôde evitar que a cerimônia fosse marcada pelos gritos de “Fora Temer”, insistentes do lado de fora.

O Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) é a maior obra de infraestrutura hídrica do país, orçada em cerca de R$ 10,7 bilhão, com 477 quilômetros de extensão em dois eixos (Leste e Norte). Seu objetivo é garantir o abastecimento de água a 12 milhões de pessoas em 390 municípios nos estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, além de 294 comunidades rurais às margens dos canais, que incluem quilombolas, etnias indígenas e assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

No Nordeste estão 28% da população brasileira e apenas 3% da disponibilidade de água do país. O Rio São Francisco detém 70% de toda a oferta de água da região, historicamente submetida a ciclos de seca rigorosa –  a mais recente já dura seis anos.

Os primeiros estudos para o projeto começaram a ser desenvolvidos em 2004, no primeiro governo Lula, e as obras foram iniciadas em 2007. Em maio de 2016, quando Dilma Rousseff foi afastada do governo, a Integração do Rio São Francisco já estava com 86,3%  do seu cronograma concluído. Atualmente, incluindo os dois eixos, está com 95,5% da infraestrutura pronta.

“Tenho muito orgulho de ter tido a coragem de ter iniciado esse projeto”, afirmou Lula em seu discurso. “Nós – Dilma, eu, Ricardo [Coutinho, do PSB, governandor da Paraíba] e muitos outros governadores – somos pai, mãe, tios e sobrinhos da transposição do São Francisco.”

De acordo com dados do Ministério da Integração Regional, o empreendimento engloba a construção de 13aquedutos, nove estações de bombeamento, 27 reservatórios, nove subestações de 230 quilowats, 270 quilômetros de linhas de transmissão em alta tensão e quatro túneis. Com 15 quilômetros de extensão, o túnel Cuncas I é o maior da América Latina para transporte de água.

As obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco passam pelos seguintes municípios no Eixo Norte: Cabrobó, Salgueiro, Terranova e Verdejante (PE); Penaforte, Jati, Brejo Santo, Mauriti e Barro (CE); em São José de Piranhas, Monte Horebe e Cajazeiras (PB). Já no Eixo Leste, o empreendimento atravessa os municípios pernambucanos de Floresta, Custódia, Betânia e Sertânia; e em Monteiro, na Paraíba. Os governos dos estados são responsáveis pela execução dos sistemas de distribuição de água, iniciativa que prevê, originalmente, apoio financeiro federal.

Contra o coronelismo
Durante seu discurso, o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), classificou a transposição do São Francisco como “obra do século”. Segundo ele, entre 40 e 60 dias, 1 milhão de paraibanos estarão bebendo da água do rio. Além da melhoria da qualidade de vida das pessoas e da economia da região, outro mérito da obra, destacou, impor ao coronelismo local o que chamou  “o seu mais duro golpe”.

“As pessoas não imaginem o que tenha sido, ao longo dessa caminhada, o domínio das oligarquias, através da lata de água, da terra que não se podia cultivar”, afirmou Coutinho. “E isso significa libertação, que significa, inevitavelmente desenvolvimento.” Lula alertou o governador da Paraíba, contudo, para que ele impeça “fazendeiros de pegarem toda água só para eles, com bomba. Esse projeto tem função social”, disse.

O ato de celebração e festa, com milhares de pessoas dentro e fora do Rio, contrastou com o evento oficial promovido pelo presidente Michel Temer, que, no dia 10 de março, discursou em Sertânia (PB), num palco isolado da população, exclusivo para convidados. Mesmo com esses cuidados, não pôde evitar que a cerimônia fosse marcada pelos gritos de “Fora Temer”, insistentes do lado de fora.

Confira o álbum do fotógrafo Francisco Proner Ramos, da Mídia Ninja, com fotos do evento:
https://www.facebook.com/fproner/posts/1211992825564526?pnref=story

 

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