Guilherme Estrella: por uma “ruptura radical” para anular os atos do atual governo

Guilherme Estrella – Foto: Ana Paula Bispo (Arquivo SOS Brasil Soberano)

Guilherme Estrella*

Para superar a “tragédia” que abateu o Brasil, o geólogo Guilherme Estrella, um dos pesquisadores responsáveis pela descoberta das reservas de petróleo na camada pré-sal, acredita que será preciso uma nova ‘ruptura radical”, que permita anular os atos e decisões do atual governo. Ao contrário dos que dizem que o país está “sem projeto”, ele vê um propósito firme na gestão Temer: submeter a nação ao papel de fornecedora de matérias primas e energia para manutenção da hegemonia geopolítica dos países mais ricos. Confira abaixo o artigo na íntegra.

O ponto central do fim da Reserva de Cobre e Associados (Renca) e de todas as outras decisões deste governo é essencialmente ideológico. E, por abrangerem dimensões inquestionavelmente estratégicas em relação ao desenvolvimento nacional através de processos que estejam sob total controle do Estado Brasileiro, democrático, representativo e crescentemente participativo, em questões desta natureza, magna por conter um importante patrimônio natural estratégico do território brasileiro, qualquer decisão deve obrigatoriamente ser submetida a referendo popular – que pertence ao povo brasileiro, não ao governo, ainda mais este, ilegítimo – quando a cidadania se pronunciará.

Já se disse que “o país está à deriva, falta um projeto nacional”.

Não concordo.

O Brasil está na firme, forte e inabalável trajetória – devida e competentemente organizada por gente muito competente – de tornar-se uma nação submissa, subserviente, sem soberania diante de interesses não brasileiros.

Há, em implantação clara e desavergonhada, um Projeto Nacional muito bem elaborado, a ter como único objetivo transformar o Brasil em fornecedor confiável de matérias primas e energia para a sustentação do atual status quo geopolítico mundial, com a hegemonia das poderosas nações que conhecemos, ao longo deste século XXI. E não só como território neocolonial, com suas riquezas à disposição, mas também como vassalo politico destas nações, no quadro geopolítico mundial.

Como “bônus”, estes imensos interesses financeiros-industriais- militares, que se tornam proprietários do nosso riquíssimo Brasil, levam dezenas de milhões de trabalhadores totalmente desprovidos de proteção e seguridade social, transformados em escravos legais, a mendigarem empregos de terceira classe colocados à sua disposição.

O Brasil – povo livre e independente + nação que se queria soberana e dona de seu destino – acabou. Este governo ilegítimo transfigurou, destruiu os fundamentos filosóficos centrais das relações que conduzem e balizam nossa sociedade descritos e estabelecidos na Constituição.

Houve uma ruptura da ordem, o Estado Democrático de Direito (e suas instituições, que deveriam garantir sua estabilidade e perenidade) foi incinerado, foi enterrado.

Para sair desta tragédia nacional, o povo brasileiro terá que se utilizar dos mesmos meios e ferramentas empregadas por este grupo lesa-Pátria: terá que haver uma ruptura radical disto tudo que está aí e partirmos para uma Assembleia Nacional Constituinte, na qual, a citar o ilustre constitucionalista Gilberto Bercovici, professor da USP, todos atos e decisões deste governo serão anulados e os direitos sociais do povo brasileiro e o nosso imenso  patrimônio natural estratégico serão recuperados pela nação brasileira.

 

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