Dia 6, uma longa viagem pelos anos 70

Drogas, ditadura, saudade de casa. “Uma longa viagem”, de Lúcia Murat, retrata os anos 70 através das cartas que Heitor, irmão da diretora, enviou à família ao longo de dez anos, enquanto viajava pelo mundo. O filme traz os fragmentos mais significativos das cartas, lidas pelo ator Caio Blat, e entrevistas com o próprio Heitor, além de observações em off de Lúcia Murat, ela própria presa política em 1971. Nasceu da experiência dolorosa da morte do terceiro irmão, Miguel, cientista que os apoiou ao longo da vida, num movimento de resgate do tempo em que estavam juntos e queriam mudar o mundo.

O documentário trata de questões como a loucura, a política, a memória. É uma visão pessoal de uma época que viveu radicalmente a política, a luta armada e as drogas. Heitor vai para Londres em 1969, mandado pela família, que tentava evitar seu ingresso na luta armada, seguindo os passos da irmã. Lá ele entra de cabeça na Swinging London e, como a juventude europeia e americana da época, experimenta as drogas e vive o encanto místico da Índia. Isso significou uma vida cheia de experiências viscerais, que vão desde uma prisão na Holanda, nos anos 70 por tráfico de drogas, até ter feito duas vezes a volta ao mundo, viajando como hippie, para finalmente ser internado numa casa de saúde na Índia pela Embaixada Brasileira. Nesse momento, final de 1978, a Embaixada americana tinha mais ou menos 80 rapazes na mesma situação, perdidos e enlouquecidos (segundo os padrões ocidentais) pelo mergulho de cabeça numa cultura completamente distinta. De volta ao Brasil, acompanhado de perto pelos dois irmãos, passa a se tratar regularmente.

Durante os nove anos em que viaja pelo mundo, de 1969 até 1978, Heitor escreve centenas de cartas em que suas impressões retratam o universo hippie da época e países então desconhecidos para muitos, como as ilhas dos Mares do Sul, Indonésia, Tailândia, Afeganistão entre muitos outros. Essa longa viagem é apresentada pelas cartas e também pelas entrevistas que contam aquilo que elas, na época, não podiam dizer.

Após a sessão, haverá debate com a presença da diretora, Lúcia Murat.

OBS: Marcado inicialmente para o dia 6, o filme de Silvio Tendler, a Distopia do Capital, foi reprogramado para o dia 20 de setembro, devido a um imprevisto na agenda do diretor.

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