Despejo marcado para dia 28 ameaça escola, crianças e idosos em acampamento do MST em Minas

Acampamento Gabriel Pimenta, do MST, no município de Coronel Pacheco, na Zona da Mata (16/06/2017)

Cristina Chacel*

O comando da PM de Minas Gerais comunicou que vai realizar no próximo dia 28 de novembro o despejo de 310 famílias que ocupam o Acampamento Gabriel Pimenta, do MST, no município de Coronel Pacheco, na Zona da Mata. As famílias – a grande maioria desempregada e sem ter para onde ir – vão resistir. Um ato político em defesa da ocupação vai acontecer no dia 27, à tarde, e a coordenação regional do movimento convida os companheiros que puderem a pernoitarem no Acampamento, pois o despejo está marcado para às 6h da manhã.

A ocupação da fazenda São José aconteceu no dia 4 de junho de 2017 e, desde então, as famílias construíram nas terras improdutivas uma escola, uma padaria, uma ciranda e estão produzindo hortaliças, feijão, abóbora, milho e doces.

Na escola do acampamento, um braço da escola estadual Maria Ilydia Resende de Andrade, de Juiz de Fora, funcionam três turmas de EJA (Educação de Jovens e Adultos): uma do primeiro ao quinto ano, uma do sexto ao nono ano e uma de ensino médio, com cerca de 50 alunos

Mais de 50 crianças moram no acampamento e as que estão em idade escolar frequentam a escola municipal de Coronel Pacheco. Cerca de 60 pessoas idosas moram também no acampamento, assim como duas pessoas com necessidades especiais.

O juiz da vara agrária estadual se recusou a ouvir as famílias acampadas durante o processo e também não esteve no acampamento, concedendo a liminar de reintegração de posse sem qualquer diálogo com as famílias. A PM, que marcou o despejo para o dia 28, simplesmente desconsidera que as famílias não têm para aonde ir e que as crianças, assim como os jovens e adultos que estudam na escola do acampamento, precisam terminar o ano letivo.

A crise está afetando a população pobre profundamente e muitas pessoas acampadas estão desempregadas. Essas famílias não teriam como sobreviver fora do acampamento, pois não têm condições de pagar aluguel, água, luz e comida, informa a Coordenação Regional do MST. Por esses motivos, “as famílias decidiram que vão resistir ao despejo e responsabilizam o Estado caso haja qualquer tipo de violência contra as famílias acampadas”.

Aos interessados em conhecer melhor mais este capítulo de injustiça, crueldade e truculência da história brasileira, segue o link de reportagem publicada há pouco mais de um mês na plataforma do #ProjetoColabora.

* Cristina Chacel é jornalista e escritora, atuou nos principais jornais do Rio de Janeiro. Há 20 anos trabalha como freelancer, com criação de textos jornalísticos e institucionais e projetos sociais e solidários. É autora de dezenas de livros, entre eles Rio de Cantos Mil, com fotos de Custódio Coimbra.

 

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