Aécio fez do seu não à derrota, um boomerang

Denise Assis*

A biografia do presidente do PSDB, Aécio Neves, no site Último Segundo, cabe em quatro parágrafos. Começou como secretário particular do vovô, elegeu-se deputado federal, blá, blá, blá… Em 2010 elegeu-se senador e, em 2014, concorreu à presidência da República, mas foi derrotado.

A exposição da conhecida trajetória do senador Aécio Neves, acima, não é por acaso. Tem o fito de evidenciar como um rapaz que nasceu em berço de ouro, diplomou-se pela PUC-Minas – uma das mais caras universidades do país -, e teve o início de carreira à sombra da figura do vovô, bateu de frente com o seu próprio perfil, quando o que pretendia era o cargo máximo do país.

O que o levou a enroscar-se em suas próprias pernas, e ir parar em listas e delações, certamente não foram os “valores” auferidos, pois em seu estado, Minas Gerais, propriedades valiosas o aguardam. Poucos têm em suas terras um aeroporto, por exemplo. O que o jogou nas chamas que hoje fazem a sua fritura em praça pública foi, justamente, o garoto abastado que guardou dentro de si.

Quantos na vida devem ter tido o topete de contrariá-lo? Quem testou a sua taxa de rejeição e frustração, dizendo-lhe não? Talvez por terem sido poucos a contrariá-lo, quando uma nação inteira disse “não, obrigada”, “fique quatro anos sem jogar”, Aécio fez birra, exigiu a prova dos nove, e pediu a recontagem dos votos. Moveu uma ação que só tinha o intuito de “melar” a escolha feita nas urnas, pelo povo.

Aécio não pôde, dada a sua pouca capacidade em lidar com a frustração da derrota, entender que não era a sua vez. Irado, certamente jogou algum “brinquedo” contra a parede, como fazem as crianças malcriadas. Não deu ao governo de Dilma Rousseff, eleita legitimamente por 54 milhões de votos, um dia sequer de trégua, demonstrando que o seu projeto pessoal era maior do que o seu apreço pela vontade do povo, a quem, na TV, durante a campanha, prometia servir e respeitar.

Pois muito bem. Aécio é ruim de mira. O brinquedo voltou e acertou a sua própria testa. Agora, quando se avizinha o primeiro aniversário da data de votação na Câmara, que colocou em marcha o processo de impeachment e depôs um projeto de país com o qual ele não concordava, Aécio, o líder do golpe, tem pouco a comemorar. Seu tempo deve estar todo voltado a não permitir que o quinto parágrafo de sua biografia seja também um epílogo.

*Denise Assis é jornalista

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