Para o jornalista Luis Nassif, os jovens serão os protagonistas na luta contra o retrocesso

Marine Moraes (Senge-PE)

Com analogias sobre as crises nas épocas da Primeira República, do Plano Real e do atual cenário político brasileiro, o jornalista Luis Nassif iniciou sua palestra sobre “Emprego e processo produtivo”, durante o I seminário “Contra a crise, pelo emprego e pela inclusão”, do Simpósio SOS Brasil Soberano, na manhã deste dia 31/3.

“A lógica dessas crises é a mesma. Tínhamos um país em crescimento passando por uma crise de Estado, que se transformou em uma crise geral do país”, relatou. Nassif ainda ressaltou que as maiores rupturas econômicas e políticas do país vieram acompanhadas pela desorganização do mercado de informações, por meio da entrada de novas tecnologias. “Basta resgatarmos a História, de um lado a urbanização e a migração, de outro a entrada do rádio no Brasil, trazendo a ânsia de participação da população”, relembrou fazendo uma comparação às mobilizações de junho de 2013. Isso porque este foi um momento marcado por novas narrativas e linguagens de mobilização nas redes sociais.

Ainda sobre a importância da juventude nas principais mobilizações nacionais, como o Movimento Passe Livre, o jornalista destacou que são os jovens que protagonizarão a luta contra tantos retrocessos. “Eu nunca vi uma juventude tão madura e politizada, debatendo educação e políticas públicas. É essa juventude que me estimula e me faz continuar na luta pela democracia”, afirmou.

Nassif ainda alertou para os interesses estrangeiros na atual política econômica e social brasileira. “O maior problema da social democracia foi permitir o livre fluxo de capitais. Esse modelo econômico tira o poder do Estado e permite que o sistema financeiro administre a troca cambial de forma independente, fazendo com que os bancos tenham domínio pleno da economia nacional e sua relação com o mercado internacional”, explicou.

A polarização da esquerda também foi apresentada como um problema que fortalece a luta da direita conservadora, em detrimento da luta dos trabalhadores. “É preciso que tenhamos um entendimento de que vivemos uma luta de classes, com o mercado financeiro e o capital de um lado e o trabalhador do outro”, alerta. Ainda segundo Nassif, o Brasil teve uma ascensão importante durante os governos Lula e Dilma, principalmente na conquista de direitos, como a política de valorização do salário mínimo como direito adquirido.

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